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Contrave

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Princípio ativo: Naltrexona, Bupropiona
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Contrave é um medicamento para perda de peso que combina cloridrato de naltrexona e cloridrato de bupropiona. É indicado para adultos com obesidade ou excesso de peso com risco metabólico associado. Atua no hipotálamo e no sistema de recompensa do cérebro para ajudar a controlar apetite, fome e craving.

O que é isto?

Contrave é um medicamento para perda de peso que combina cloridrato de naltrexona e cloridrato de bupropiona. É prescrito a adultos com obesidade ou excesso de peso com risco metabólico associado, como parte de um plano de controlo de peso a longo prazo. Atua no hipotálamo e no sistema de recompensa do cérebro para ajudar a controlar o apetite, a fome e o desejo por comida, auxiliando na gestão da obesidade. [1]

Composição

Cada comprimido contém cloridrato de bupropiona 90 mg + cloridrato de naltrexona 8 mg. Esta combinação foi desenhada para atuar em dois circuitos cerebrais relevantes no comportamento alimentar: o controlo do apetite e a componente de recompensa associada ao comer.

Ingredientes Ativos do Contrave: Naltrexona e Bupropiona

  • Cloridrato de naltrexona (Naltrexona): é um antagonista dos recetores opioides. Em contexto de comportamento alimentar, pode reduzir a componente de recompensa associada a certos alimentos e ajudar a travar o ciclo “vontade intensa → consumo → culpa → repetição”.
  • Bupropiona (Cloridrato de bupropiom / cloridrato de bupropiona): é um antidepressivo com ação em neurotransmissores ligados a energia, motivação e controlo do apetite. Em algumas pessoas, também reduz a “fome de cabeça” que aparece fora das refeições.

Como tomar?

O esquema de Contrave é, em regra, progressivo ao longo de 4 semanas, para reduzir efeitos adversos, sobretudo náuseas e insónia. O alvo habitual é chegar a 2 comprimidos duas vezes por dia (manhã e tarde), desde que bem tolerado.

Toma e manuseamento:

  • Engolir os comprimidos inteiros.
  • Não mastigar, não esmagar, não partir.
  • Tomar de forma regular, à mesma hora.

Exemplo de titulação em 4 semanas (muito usado)

Semana Manhã Tarde
1 1 comprimido
2 1 comprimido 1 comprimido
3 2 comprimidos 1 comprimido
4 e manutenção 2 comprimidos 2 comprimidos

Erros comuns ao gerir uma dose esquecida: não “compensar” com doses a dobrar. Se acontecer com frequência, o plano deve ser simplificado com o médico.

Como funciona?

  • Via de administração: oral (comprimidos).
  • Dose inicial (semana 1): 1 comprimido de 8 mg/90 mg 1×/dia, de manhã.
  • Ajuste (semana 2): 1 comprimido de 8 mg/90 mg 2×/dia (manhã e fim da tarde/início da noite).
  • Ajuste (semana 3): 2 comprimidos de 8 mg/90 mg de manhã + 1 comprimido de 8 mg/90 mg ao fim da tarde/início da noite (total 3 comprimidos/dia).
  • Dose de manutenção (a partir da semana 4): 2 comprimidos de 8 mg/90 mg 2×/dia (manhã e fim da tarde/início da noite), total 4 comprimidos/dia.
  • Tomar com: água; pode ser com ou sem alimentos.
  • Evitar: tomar com refeições ricas em gordura.
  • Duração: utilizar diariamente; reavaliar a eficácia ao fim de 16 semanas de tratamento (após atingir a dose de manutenção).
  • Limite máximo: não exceder 4 comprimidos/dia.

Indicações

Contrave é indicado para controlo do peso em adultos quando existe excesso de peso clinicamente relevante:

  • Obesidade: IMC ≥ 30 kg/m²
  • Excesso de peso: IMC ≥ 27 kg/m² com comorbilidades relacionadas com o peso (ex.: hipertensão, dislipidemia, pré-diabetes/diabetes tipo 2, apneia do sono)

A prescrição é pensada para uso continuado, em conjunto com plano alimentar hipocalórico e aumento de atividade física. O objetivo não é “perder depressa”, é reduzir risco cardiometabólico e ajudar a manter resultados.

Critérios práticos (IMC) e exemplos de comorbilidades

Situação Critério Exemplos
Obesidade IMC ≥ 30 Pode existir sem outras doenças diagnosticadas
Excesso de peso + risco IMC ≥ 27 Hipertensão, dislipidemia, diabetes tipo 2, apneia do sono

Uma frase curta, sem rodeios: se o padrão alimentar é estável, mas o peso não mexe por razões hormonais, medicação concomitante ou sedentarismo extremo, Contrave pode não ser a peça principal do puzzle.

Comparação

Existem várias opções farmacológicas para perda de peso, com mecanismos diferentes. Contrave destaca-se por atuar mais no comportamento alimentar e no circuito de recompensa do que na saciedade gastrointestinal.

Opção Como atua Quando pode fazer mais sentido
Contrave Hipotálamo + sistema de recompensa mesolímbico Compulsão alimentar, craving, fome emocional
Liraglutida (Victoza®, Saxenda®) Agonista GLP-1, aumenta saciedade e reduz apetite Quem precisa de maior controlo de fome e melhora glicémica
Semaglutida (Ozempic®) Agonista GLP-1, efeito forte em saciedade Obesidade com risco cardiometabólico elevado, sob prescrição

E a Sibutramina? Em Portugal e na UE, a sibutramina tem histórico de preocupações cardiovasculares e não é uma escolha de rotina em muitos países europeus; o enquadramento depende das decisões regulatórias e práticas locais.
E Uninaltrex®? É outra formulação com naltrexona (o nome pode surgir em contextos diferentes), mas não substitui automaticamente Contrave, porque a estratégia terapêutica depende da combinação e do objetivo clínico.

Escolha prática em consultório: quando o doente descreve “não é fome, é impulso”, Contrave costuma entrar na conversa. Quando o problema é fome constante e porções grandes, GLP‑1 tende a ser mais escolhido.

Contraindicações

  • História de convulsões ou condições que aumentem o risco de convulsão
  • Uso atual de IMAO (inibidores da monoaminoxidase)
  • Dependência de opioides ou necessidade de opioides para controlo de dor
  • Hipertensão não controlada
  • Perturbações alimentares como bulimia/anorexia
  • Gravidez e amamentação

Não recomendado para

Contrave pode não ser adequado se:

  • Já teve convulsões, ou tem fatores que aumentem o risco de convulsão.
  • Toma certos antidepressivos/medicamentos que exigem avaliação prévia (incluindo IMAO), devido a risco de reações graves e interações.
  • Usa analgésicos opioides, ou precisa deles para controlar dor, porque a naltrexona pode bloquear o efeito e precipitar sintomas de abstinência.
  • Tem tensão arterial não controlada, palpitações ou doença cardiovascular que exija monitorização apertada.
  • Tem histórico de bulimia ou anorexia, por aumento de risco com bupropiona.
  • Está grávida ou a amamentar, salvo decisão médica após avaliação risco-benefício.

Se toma antidepressivos, ansiolíticos, antipsicóticos, fármacos para enxaqueca ou medicação para Parkinson, deve rever o seu esquema com o médico antes de iniciar.

Efeitos secundários

Os efeitos adversos variam com a dose e com a velocidade de aumento (titulação). Os mais frequentes tendem a ser gastrointestinais e do sistema nervoso central, e aparecem mais no início do tratamento. [3]

Efeitos comuns (tendem a melhorar com o tempo):

  • Náuseas e desconforto gástrico
  • Obstipação ou diarreia
  • Dor de cabeça
  • Boca seca
  • Tonturas
  • Insónia ou sono leve
  • Ansiedade/irritabilidade no arranque

Efeitos potencialmente graves (precisam de avaliação médica rápida):

  • Convulsões (risco aumenta com predisposição e com certos medicamentos)
  • Aumento significativo da pressão arterial ou palpitações persistentes
  • Alterações marcadas do humor, ideação suicida (alerta de classe para antidepressivos)
  • Reação alérgica (urticária, inchaço, dificuldade em respirar)

Três pormenores que evitam surpresas:

  1. A bupropiona pode dar falso positivo para anfetaminas em alguns testes rápidos de urina; em contexto laboral, costuma resolver-se com teste confirmatório.
  2. Náuseas pioram quando se sobe a dose demasiado depressa.
  3. Se já tem enxaqueca, a dor de cabeça inicial pode confundir-se com crise habitual e atrasar a perceção de um efeito adverso.

Erros comuns

Pequenos erros mudam a experiência com este medicamento.

  • Tomar a dose da tarde demasiado tarde e depois culpar o medicamento pela insónia.
  • Subir a dose mais depressa para “acelerar” resultados e acabar com náuseas persistentes.
  • Esmagar ou partir comprimidos para facilitar a toma, alterando libertação e tolerabilidade.
  • Iniciar enquanto ainda usa opioides (analgésicos), com risco de perda de efeito analgésico e sintomas de abstinência.
  • Medir sucesso só por peso semanal e ignorar a melhoria real no controlo de impulsos, que costuma vir antes da mudança na balança.

Uma frase curta: o objetivo é consistência.
Outra: pressa dá efeitos adversos.

Opiniões médicas

Na prática clínica, muitos médicos usam uma regra simples: se não há redução significativa de apetite e de episódios de craving nas primeiras semanas, vale reavaliar a estratégia. A resposta não é só a balança; é também o comportamento alimentar ao fim do dia, quando a fadiga baixa o autocontrolo.

Um padrão repetido em consulta é a diferença entre “fome” e “vontade”. Contrave costuma ajudar mais no segundo. A outra observação frequente é a tolerabilidade: subir a dose cedo demais aumenta desistências por náuseas e insónia, mesmo em pessoas que acabariam por tolerar bem com titulação mais lenta.

Os médicos também monitorizam pressão arterial e humor de forma ativa, porque a bupropiona pode aumentar ativação e a naltrexona pode interferir com analgesia opioide.

Perguntas frequentes

Atua em ambas, mas muitos doentes sentem primeiro melhoria no impulso e no craving do que na “fome de estômago”. A ação no hipotálamo ajuda no apetite e a ação no sistema de recompensa mesolímbico ajuda na parte comportamental. Esta forma de explicar está alinhada com a avaliação regulatória europeia descrita pela EMA. [4]

Em consulta, a janela típica para notar mudanças comportamentais é de semanas, não de dias. O peso pode demorar mais, porque depende de manter défice calórico e rotina. Em 2026, orientações de abordagem crónica da obesidade reforçam metas realistas e avaliação regular de resposta terapêutica.

O tema deve ser individualizado: o álcool pode agravar insónia, ansiedade e aumentar risco de eventos neurológicos em pessoas suscetíveis. Alterações bruscas no padrão de consumo também não ajudam, porque mexem no limiar convulsivo e no humor. Em Portugal, a orientação prudente é discutir o seu padrão de consumo com o médico e definir limites claros. [5]

Pode. Parte das pessoas tem aumento de pressão arterial e frequência cardíaca, mais comum no início ou com subida rápida de dose. Por isso, os médicos costumam monitorizar tensão e sintomas como palpitações e dor torácica. A EMA inclui este ponto entre os riscos a vigiar em terapêuticas deste tipo.

A naltrexona bloqueia recetores opioides, por isso analgésicos opioides podem perder efeito e podem surgir sintomas de abstinência em quem os usa regularmente. Para dor aguda, isto pode virar um problema real (ex.: pós-operatório, dor lombar intensa). A decisão de iniciar Contrave deve considerar o seu plano de controlo da dor.

Liste histórico de convulsões, hipertensão, perturbações alimentares, consumo de álcool e todos os medicamentos, incluindo os tomados “de vez em quando”. Diga também se já teve insónia marcada ou ansiedade, porque a bupropiona pode ativar no arranque. Esta abordagem de estratificação de risco é coerente com práticas clínicas usadas na UE e descritas em documentação regulatória.

Vista frontal Vista frontal
Vista lateral Vista lateral
Vista traseira Vista traseira

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Contrave — Comparação com alternativas

O que é Contrave e como funciona?

Uma nuance prática: este tratamento tende a funcionar melhor quando existe um padrão de “petisco por impulso” ou episódios de vontade intensa de comer, e não apenas fome por rotina.

Interações Medicamentosas do Contrave

As interações de Contrave são clinicamente relevantes e devem ser revistas antes de iniciar, porque a combinação mexe com neurotransmissores e com metabolização hepática.

Interações a discutir com o médico:

  • Inibidores da MAO (IMAO): combinação contraindicada por risco de reação grave, incluindo crise hipertensiva.
  • Outros antidepressivos e medicamentos que aumentam risco de convulsão (ex.: alguns antipsicóticos, tramadol, quinolonas).
  • Medicamentos para doença de Parkinson e fármacos com impacto em dopamina.
  • Fármacos metabolizados por enzimas hepáticas em que a bupropiona pode interferir (impacto variável conforme a terapêutica).

Álcool é um ponto sensível: em algumas pessoas, aumentar ou reduzir abruptamente consumo de álcool altera o limiar convulsivo e agrava ansiedade/insónia.

Avaliações e Experiências

M
Marta, 41
Lisboa
12 semanas
Verificada
As primeiras duas semanas foram chatas por causa das náuseas e boca seca. Ao fim de um mês, deixei de ‘pensar em comida’ à noite e isso fez a diferença. O peso baixou devagar.
14/02/2026
R
Rui, 36
Porto
10 semanas
Verificada
Senti mais energia e menos vontade de petiscar. Tive insónia quando tomava a segunda dose tarde; ajustei o horário e melhorou. A ansiedade subiu no início e depois estabilizou.
03/12/2025
S
Sofia, 52
Braga
6 semanas
Verificada
Perdi pouco peso nas primeiras semanas, mas notei menos compulsão. O que me incomodou foi a obstipação; tive de reforçar água e fibra. Mantive porque o controlo de apetite compensou.
22/11/2025
T
Tiago, 29
Coimbra
3.ª semana
Verificada
A dor de cabeça e a irritabilidade foram fortes em mim. Fui avaliado e decidiu-se não insistir. Não foi um bom ajuste para o meu perfil.
08/01/2026

Sources

  1. European Medicines Agency (2026). Assessment report for naltrexone/bupropion prolonged-release (weight management).
  2. World Health Organization (WHO) (2026). Obesity and overweight: key facts and chronic disease framing.
  3. Cochrane (2025). Naltrexone-bupropion for weight reduction in adults: benefits and harms (systematic review update).
  4. European Medicines Agency (2026). Summary of Product Characteristics: naltrexone/bupropion (risk management and adverse effects).
  5. Infarmed – Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (2026). Informação de segurança e interações relevantes para bupropiona e naltrexona (orientação para profissionais de saúde).