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Princípio ativo: Memantina
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Memantina é um medicamento em comprimidos para tratamento sintomático da demência associada à doença de Alzheimer. É indicada para adultos com demência moderada a grave. Atua modulando o glutamato no cérebro, ajudando a equilibrar sinais nervosos ligados à memória e ao comportamento.

O que é isto?

Memantina é um fármaco utilizado em demência, com ação central no sistema nervoso. Na prática, é escolhida quando a doença já ultrapassou a fase ligeira e a pessoa começa a precisar de ajuda mais consistente nas atividades do dia a dia.

O ponto-chave é o glutamato, um mensageiro químico do cérebro. Em excesso e de forma desregulada, o glutamato pode “sobrecarregar” circuitos neuronais. Memantina reduz as acções de substâncias químicas no cérebro ao atenuar essa estimulação glutamatérgica, com o objetivo de melhorar a eficiência da comunicação entre neurónios e preservar função por mais tempo [1].

Dica prática: muitos cuidadores avaliam o efeito de Memantina melhor pelo “dia a dia” (menos agitação ao fim da tarde, rotinas mais estáveis) do que por testes de memória em casa.

Composição

Substância ativa: cloridrato de memantina (memantina). Excipientes podem incluir celulose microcristalina, lactose monoidratada, dióxido de silício coloidal e estearato de magnésio, variando conforme o fabricante e a dosagem do comprimido.

Como tomar?

Memantina é usada por via oral em comprimidos e, em muitos esquemas, inicia-se com aumento gradual (titulação) para melhorar tolerabilidade. A dose e o ritmo de subida são definidos pelo médico, com base na resposta e na função renal.

Regras práticas de administração:

  • Tome exatamente como prescrito pelo médico.
  • Pode ser tomada com ou sem alimentos; a regularidade de horário ajuda cuidadores a manterem rotina.
  • Em insuficiência renal, é comum precisar de ajustes de dose.

Um detalhe que vejo muitas vezes: quando há vários comprimidos diários, o risco não é “esquecer um dia”, é tomar duas vezes sem dar conta. A organização do cuidador é parte do tratamento.

Dica prática: para evitar duplicações, muitos cuidadores anotam a toma num calendário simples na cozinha; funciona melhor do que confiar na memória, num contexto de stress diário.

Como funciona?

  • Via de administração: oral (comprimidos).
  • Dose inicial: 5 mg 1 vez/dia.
  • Titulação: aumentar 5 mg por semana até à dose de manutenção.
  • Dose de manutenção habitual: 20 mg/dia (10 mg 2 vezes/dia ou 20 mg 1 vez/dia, conforme prescrição).
  • Horário: tomar à mesma hora todos os dias; pode ser com ou sem alimentos.
  • Duração do tratamento: uso contínuo, com reavaliação periódica da eficácia e tolerabilidade.
  • Ajustes frequentes: em insuficiência renal, podem ser necessárias doses mais baixas; seguir a prescrição médica.

Indicações

Memantina é prescrita para demência moderada a grave do tipo Alzheimer. O foco do tratamento é reduzir impacto dos sintomas e abrandar perda funcional, mesmo sem reverter a doença.

Indicações habituais em contexto clínico:

  • Demência moderada a grave associada à Doença de Alzheimer.
  • Doentes que já apresentam declínio da autonomia (orientação, higiene, alimentação, segurança em casa).
  • Situações em que há sintomas neuropsiquiátricos associados (ex.: irritabilidade, agitação), quando o médico entende que o controlo global pode melhorar.

Memantina não substitui intervenções não farmacológicas. Ajuda a “ganhar tempo funcional”. E isso conta.

Comparação

Memantina e donepezilo atuam em sistemas diferentes do cérebro, por isso a escolha (ou associação) depende do perfil do doente e da fase da doença.

  • Donepezilo é um inibidor da acetilcolinesterase: funciona impedindo a quebra de acetilcolina, um neurotransmissor ligado à atenção e memória. Ao aumentar a disponibilidade de acetilcolina, donepezilo melhora a função das células nervosas no cérebro em alguns doentes.
  • Memantina atua no sistema do glutamato: reduz a excitotoxicidade relacionada com a ativação excessiva de recetores NMDA.

Tabela rápida de comparação

Aspeto Memantina Donepezilo
Mecanismo principal Modulação do glutamato (NMDA) Aumenta acetilcolina (inibe acetilcolinesterase)
Uso típico Alzheimer moderado a grave Alzheimer ligeiro a moderado (muitas vezes)
Efeitos indesejáveis típicos Tonturas, cefaleias, obstipação Náuseas, diarreia, bradicardia, insónia

Contraindicações

  • Alergia conhecida à memantina.
  • Reação de hipersensibilidade prévia com sinais como urticária e edema da face em contexto de uso do fármaco.

Na combinação Donepezilo + Memantina, a regra é direta: não deve ser usada se for alérgico a donepezilo ou a memantina.

Não recomendado para

Este medicamento pode não ser adequado para si se tiver doença renal importante, historial de convulsões, problemas cardiovasculares relevantes ou risco elevado de quedas. Também merece atenção extra se estiver a tomar outros medicamentos que afetam o sistema nervoso central, porque a soma pode aumentar sonolência e instabilidade. Se existir confusão aguda por outra causa, como infeção ou desidratação, costuma ser prioridade estabilizar a causa antes de alterar a terapêutica.

Efeitos secundários

Memantina é, em geral, bem tolerada, mas efeitos indesejáveis existem e podem ser mais relevantes em idosos frágeis.

  • Tonturas.
  • Cefaleias.
  • Obstipação.
  • Sonolência ou, pelo contrário, alguma inquietação em fase inicial.

Efeitos que exigem atenção clínica rápida:

  • Alterações marcadas do estado mental (confusão súbita intensa, alucinações novas) que não encaixam no padrão habitual.
  • Sinais de reação alérgica: urticária, respiração difícil, inchaço do rosto, lábios, língua ou garganta (estes sinais são descritos como possíveis também em contextos de Donepezilo + Memantina).
Dica prática: tonturas no início costumam ser piores ao levantar-se; reforçar hidratação e levantar devagar reduz quedas, um problema muito real nesta faixa etária.

Erros comuns

O tratamento da demência falha mais por logística do que por “falta de potência” do medicamento.

Erros comuns que pioram resultados:

  • Subir a dose depressa demais, por ansiedade de ver efeito; isso aumenta tonturas e confusão em alguns doentes.
  • Misturar horários todos os dias, o que dificulta perceber se um efeito indesejável veio do medicamento ou do cansaço/rotina.
  • Duplicar a toma quando dois cuidadores assumem a medicação no mesmo dia.
  • Ignorar obstipação, que pode parecer menor, mas em idosos agrava agitação, apetite e sono.
  • Não informar alterações da função renal (ex.: desidratação, infeções urinárias); ajustes podem ser necessários.

Uma frase prática: se surgiu um sintoma novo, registe o dia e a hora. Ajuda imenso na consulta.

Opiniões médicas

Em consulta de neurologia e geriatria, Memantina costuma ser apresentada como um fármaco para estabilização. O objetivo clínico mais realista é “abrandar a descida”, não criar uma melhoria dramática.

Médicos também observam que a resposta é heterogénea: alguns doentes ganham mais autonomia em tarefas simples; outros mostram maior benefício no comportamento (menos agitação, menos reatividade). Um terceiro grupo quase não nota diferenças, apesar de boa adesão. Isso não significa que falhou; a própria evolução do Alzheimer pesa muito.

Um ponto que os clínicos repetem é a avaliação por metas funcionais: banho com menos resistência, refeições mais tranquilas, menos episódios de deambulação. Esses sinais guiam decisões de manter, ajustar ou rever terapêutica.

Perguntas frequentes

O efeito, quando existe, tende a ser gradual e observado ao longo de semanas, não em dias. Muitos cuidadores descrevem mudanças subtis primeiro, como menos irritabilidade ou melhor tolerância a rotinas. A OMS (WHO) enquadra a demência como uma condição com evolução lenta, onde intervenções são avaliadas por estabilidade e manutenção de capacidades. Referência: WHO .

Pode acontecer dos dois modos, dependendo da pessoa e do ritmo de titulação. Sonolência e tonturas são queixas frequentes no arranque, e a agitação pode aparecer como parte da doença ou como reação individual. Quando a dose sobe depressa, estes sintomas tendem a aparecer mais. A monitorização de segurança e reações adversas está alinhada com informação pública de reguladores como o Infarmed. Referência: Infarmed [4].

A regra prática usada em muitos planos é evitar “compensar” com duas tomas juntas, porque isso aumenta risco de tonturas e confusão. O que faz sentido depende do horário e da proximidade da toma seguinte, por isso os médicos preferem um plano simples e consistente. Se as falhas forem repetidas, o melhor ajuste costuma ser organizacional (quadro semanal, alarme, um cuidador responsável). Referência: EMA .

Sim, em doentes selecionados, porque os mecanismos são diferentes e podem somar benefício. A associação é mais comum quando a doença progride para fase moderada a grave, ou quando se pretende estabilizar cognição e comportamento. O risco é aumentar efeitos indesejáveis, sobretudo os gastrointestinais atribuídos ao donepezilo, o que pode limitar a adesão. Referência: EMA .

Não. Memantina não elimina a causa da Doença de Alzheimer, e o curso da doença continua. O objetivo é tratamento sintomático e manutenção funcional, dentro de um plano que inclui apoio ao cuidador e medidas ambientais. A WHO descreve a demência como prioridade de saúde pública com necessidade de cuidados continuados, não de solução única. Referência: WHO .

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Vista lateral Vista lateral
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Memantine — Comparação com alternativas

Avaliações e Experiências

A
Ana, 56
Porto
4 meses
Verificada
Ao fim de 3 a 4 semanas, ele ficou menos agitado ao fim do dia. Não melhorou a memória de forma óbvia, mas a rotina do jantar ficou mais fácil.
18/10/2024
R
Rui, 62
Braga
6 semanas
Verificada
Nos primeiros dias ela queixou-se de tonturas ao levantar. O médico subiu a dose mais devagar e isso acalmou. O benefício foi discreto, mas manteve-se mais estável.
07/02/2025
M
Marta, 49
Lisboa
3 meses
Verificada
Esperava uma melhoria maior e foi frustrante. Notei menos irritabilidade, mas a autonomia não voltou. A obstipação apareceu e tivemos de tratar isso à parte.
22/11/2024
C
Carlos, 67
Coimbra
2 meses
Verificada
Deu-me alguma sonolência de manhã na primeira semana. Depois passou. O mais difícil foi organizar as tomas quando eu estava sozinho; com o quadro semanal, correu melhor.
15/03/2025

Fontes

  1. European Medicines Agency (EMA) (2024). Memantine — Summary of Product Characteristics (SmPC).
  2. National Institute for Health and Care Excellence (NICE) (2022). Dementia: assessment, management and support for people living with dementia and their carers (NG97).
  3. World Health Organization (WHO) (2023). Dementia — Fact sheet.
  4. Infarmed (Autoridade Nacional do Medicamento) (2024). Memantina — página de informação pública do medicamento (substância ativa/medicamentos autorizados).
  5. Food and Drug Administration (FDA) (2003). Memantine hydrochloride prescribing information / approval documentation for Alzheimer’s disease.
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