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Amantadine

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A Amantadine é um medicamento de ação central usado sobretudo na doença de Parkinson. É indicada para doentes que precisam de ajuda no controlo motor ou das discinesias associadas à levodopa. Atua a facilitar vias dopaminérgicas e a modular recetores NMDA.

O que é isto?

A Amantadine é um medicamento com ação no sistema nervoso central usado sobretudo em contexto de Parkinson, pertencendo ao grupo dos antiparkinsónicos dopaminomiméticos. O princípio ativo é a amantadina, frequentemente apresentada como cloridrato de amantadina (Amantadine hydrochloride). Também teve uso antiviral histórico contra Influenza A, embora esse papel esteja hoje limitado pela resistência viral.

Composição

O princípio ativo é frequentemente apresentado como Cloridrato de Amantadina (Amantadine hydrochloride).

Designação Princípio ativo Forma
Amantadine Amantadine (frequentemente como cloridrato) Comprimidos
Parkadina Amantadine Oral (depende do mercado)
Symmetrel / Mantadine Amantadine Oral (depende do mercado)

Como tomar?

  • Via oral: tomar os comprimidos por via oral, com água.
  • Dose habitual: 100 mg por dia; pode ser aumentada para 100 mg 2 vezes/dia conforme prescrição.
  • Horário: administrar de manhã e, quando prescrito 2 vezes/dia, na manhã e no fim da tarde ou início da noite.
  • Com alimentos: pode ser tomada com ou sem غذا; se causar desconforto gástrico, tomar após as refeições.
  • Duração: usar pelo período indicado pelo médico, com ajuste de dose em função da resposta clínica e da função renal.

Como funciona?

  • Via oral: administrar os comprimidos por via oral, com água.
  • Dose habitual: 100 mg 1 vez/dia no início; em alguns esquemas, 100 mg 2 vezes/dia.
  • Horário: preferir a toma pela manhã; se houver segunda toma, fazer no fim da tarde, evitando a noite quando causar insónia.
  • Com alimentos: pode ser tomada com ou sem alimentos; após refeições se houver náusea.
  • Duração: manter durante o tempo definido na prescrição e ajustar a dose consoante resposta e função renal.

Indicações

  • Tratamento adjuvante da doença de Parkinson
  • Controlo de rigidez e bradicinesia em alguns doentes
  • Redução de discinesias associadas à levodopa
  • Uso antiviral histórico contra Influenza A, hoje limitado pela resistência viral

Comparação

Na gripe, antivirais mais usados quando há indicação incluem oseltamivir (conhecido por muitos como Tamiflu), zanamivir e, em alguns países, outras opções que cobrem melhor estirpes resistentes à amantadina. Aqui a diferença é simples: a resistência do Influenza A à Amantadine mudou o papel deste fármaco, enquanto os antivirais mais usados para gripe foram desenvolvidos para contornar essa limitação.

Opção terapêutica Uso típico Observação
Amantadine Parkinson; uso antiviral histórico Pode ajudar discinesias; na gripe é limitada por resistência
Levodopa Parkinson Pilar do controlo motor; ajustes finos são comuns
Oseltamivir / Zanamivir Gripe Maior utilidade clínica em estirpes atuais, quando indicado

Sobre Gabapentin: surge por vezes em contextos de dor e sensibilização central (mais descrito fora do Parkinson), e há discussões sobre amantadina como antagonista NMDA em dor refratária em alguns cenários, incluindo prática veterinária; isso não substitui indicações humanas aprovadas nem significa que seja uma escolha “analgésica” de rotina.

Sobre ritonavir: é um antiviral usado noutras áreas (VIH), não é uma alternativa direta para Parkinson nem para gripe sazonal.

Contraindicações

  • Insuficiência renal sem ajuste adequado, pelo risco de acumulação
  • Doença hepática significativa, sobretudo com alterações cognitivas coexistentes
  • Psicose incontrolada, psiconeurose grave ou história de alucinações relevantes
  • Epilepsia ou convulsões prévias
  • Dermatite eczematoide recorrente
  • Edema periferal relevante ou insuficiência cardíaca com retenção de líquidos
  • Hipersensibilidade à amantadina

Não recomendado para

A Amantadine pode não ser uma boa opção se tiver doença renal, problemas de confusão ou alucinações, epilepsia, retenção de líquidos ou um historial de quedas. Também pede cautela extra se já usa vários medicamentos que atuam no cérebro ou se consome álcool com frequência.

Efeitos secundários

Efeitos secundários mais comuns (tendem a ser dose-relacionados):

  • Tonturas e sensação de cabeça leve
  • Insónia
  • Náuseas e desconforto gástrico
  • Boca seca
  • Nervosismo ou agitação
  • Confusão, sobretudo em idosos

Efeitos potencialmente graves (exigem avaliação médica rápida):

  • Alucinações, desorganização do pensamento, agravamento de psicose
  • Edema periferal importante (inchaço de pernas)
  • Alterações marcadas do ritmo de sono-vigília
  • Convulsões em pessoas predispostas (risco maior em epilepsia)

Efeitos como sonhos muito vívidos ou pesadelos na primeira quinzena são referidos por alguns doentes. A desidratação pode piorar a tolerância, porque aumenta tonturas e instabilidade. O álcool pode amplificar sonolência, descoordenação e alterações cognitivas.

Erros comuns

  • Juntar álcool ao fim do dia: aumenta quedas e confusão, mesmo com quantidades moderadas.
  • Aumentar a dose por iniciativa própria quando o efeito parece curto: o risco é acumulação e alucinações, sobretudo com função renal reduzida.
  • Ignorar edema periferal: pernas inchadas novas merecem avaliação, porque pode ser efeito do fármaco ou descompensação de base.
  • Parar de forma abrupta sem plano: alguns doentes referem agravamento súbito de sintomas motores e mal-estar.
Dica prática de farmácia: se usa a Amantadine e vai fazer análises por rotina, peça que a creatinina e a estimativa de função renal sejam revistas quando surgem efeitos no sono ou confusão. É uma das causas mais “silenciosas” de intolerância.

Opiniões médicas

Em consulta de neurologia, a Amantadine costuma ser encarada como um fármaco “de ajuste fino”. Não é o primeiro passo para a maioria dos doentes recém-diagnosticados. Entra quando existe um objetivo clínico bem definido, como controlo de discinesias induzidas por levodopa, ou quando o doente precisa de um reforço sintomático sem mexer tanto na dose de levodopa.

Os médicos também são realistas sobre limitações. O principal travão é tolerabilidade neuropsiquiátrica: insónia, sonhos vívidos, alucinações e confusão, em especial em idosos e em pessoas com reserva cognitiva menor. A segunda limitação é a função renal, porque uma pequena redução do clearance pode transformar uma dose “ok” numa dose que dá efeitos no SNC.

Uma decisão bem feita inclui plano de monitorização e um ponto de reavaliação claro. Se não houver benefício clínico mensurável, muitos prescritores preferem simplificar o esquema.

Perguntas frequentes

Não. A Amantadine não atua contra bactérias e não trata infeções bacterianas como uma pneumonia bacteriana. É um fármaco com ação no sistema nervoso central para Parkinson e com histórico de ação antiviral contra Influenza A. A Organização Mundial da Saúde (WHO) descreve a distinção entre antivirais e antibióticos e os seus alvos terapêuticos. A WHO publicou orientações e materiais de referência sobre estes grupos terapêuticos.

Alguns doentes referem alterações em dias, mas a avaliação clínica costuma ser feita ao longo de algumas semanas, porque o sono, a cognição e as discinesias precisam de tempo para estabilizar. O objetivo não é “sentir algo”, é medir função: marcha, rigidez, tempo “on/off” e movimentos involuntários. A EMA descreve na documentação regulatória que a resposta e tolerabilidade podem variar e exigem ajuste individual. A documentação regulatória da EMA para amantadina reforça a necessidade de titulação individual [4].

Sim, e é um motivo comum de ajuste de horário ou de dose. A via dopaminérgica e o efeito no SNC podem fragmentar o sono, aumentar sonhos vívidos e, em pessoas sensíveis, precipitar agitação noturna. Se estes sintomas surgirem cedo, é frequente a equipa clínica tentar antecipar tomas e rever outros fármacos que também mexem no sono. A informação pública do Infarmed inclui alertas de segurança e uso responsável de medicamentos com ação central [5].

Muitas vezes sim, e essa combinação é comum em Parkinson. O benefício pode ser maior em discinesias, mas o risco de alucinações e confusão também pode aumentar em alguns doentes, sobretudo com idade avançada ou compromisso renal. A decisão é clínica e deve considerar histórico psiquiátrico e tolerância prévia a agentes dopaminérgicos.

O uso diminuiu muito porque a resistência do vírus Influenza A à amantadina se tornou frequente em muitos períodos e regiões. Por esse motivo, outros antivirais (como oseltamivir e zanamivir) são mais usados quando há indicação, por terem utilidade mais consistente face às estirpes circulantes. A WHO descreve o impacto da resistência antiviral e a necessidade de escolher antivirais alinhados com a epidemiologia.

É a forma salina da mesma substância ativa, usada para estabilidade e formulação do medicamento. Em termos terapêuticos, está a falar de Amantadine, só que apresentada como cloridrato. Essa nomenclatura é frequente na documentação regulatória europeia para substâncias ativas. A EMA usa este tipo de designação em Sumários das Características do Medicamento (SmPC).

Vista frontal Vista frontal
Vista lateral Vista lateral
Vista traseira Vista traseira

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Amantadine — Comparação com alternativas

Avaliações e Experiências

T
Teresa, 68
Porto
6 semanas
Verificada
Comecei por discinesias com a levodopa e notei menos movimentos involuntários ao fim de cerca de 10 dias. O lado menos bom foi o sono, fiquei a acordar às 4–5 da manhã. Ajustei o horário da toma e melhorou.
14/11/2025
R
Rui, 61
Coimbra
3 semanas
Verificada
Nos primeiros dias senti a cabeça leve e um bocado de enjoo. Ao fim da segunda semana estabilizou. Não foi uma mudança enorme, mas ajudou-me na rigidez quando o efeito da levodopa falhava.
03/02/2026
A
Ana, 74
Lisboa
12 dias
Verificada
Tive sonhos muito intensos e comecei a ficar confusa à noite. O médico decidiu suspender e voltámos ao esquema anterior. Para mim não compensou.
22/08/2025
M
Miguel, 55
Braga
2 meses
Verificada
O benefício foi mais em reduzir ‘picos’ de movimentos do que no tremor. Se tomo tarde, durmo pior. Aprendi isso na primeira semana.
09/01/2026
H
Helena, 66
Setúbal
1 mês
Verificada
Notei mais energia de manhã, mas tive boca seca e alguma obstipação. Bebi mais água e fui ajustando com a minha rotina. Mantive porque o saldo foi positivo.
30/04/2026

Fontes

  1. European Medicines Agency (EMA) (2023). Summary of Product Characteristics (SmPC) — amantadina (amantadina hydrochloride).
  2. World Health Organization (WHO) (2024). Influenza (seasonal) — Fact sheet.
  3. European Medicines Agency (EMA) (2024). Amantadine: public assessment and product information updates.
  4. Infarmed (Autoridade Nacional do Medicamento) (2024). Alertas de segurança e utilização responsável de medicamentos de ação central.
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