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Bupropiona

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A Bupropiona é um antidepressivo atípico usado em adultos com depressão e, em situações selecionadas, para ajudar a deixar de fumar. Atua aumentando a disponibilidade de dopamina e noradrenalina, o que pode melhorar o humor, a energia e a redução do craving por nicotina.

O que é isto?

A Bupropiona é um antidepressivo atípico, classificado como inibidor da recaptação de dopamina e noradrenalina (NDRI). É usada em adultos com depressão e, em situações selecionadas, como apoio na cessação tabágica. Atua no sistema nervoso central ao aumentar a disponibilidade de dopamina e noradrenalina, ajudando o humor e reduzindo sintomas de abstinência de nicotina.

Composição

A Bupropiona é um antidepressivo e, em Portugal, pode surgir com a designação de cloridrato de bupropiona (o “cloridrato” é a forma salina usada para estabilizar o fármaco). Enquadra-se nos inibidores seletivos da dopamina e noradrenalina, também descritos como inibidores da recaptação de noradrenalina-dopamina (NDRI), o que a coloca num grupo diferente de muitos antidepressivos de primeira linha, como os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS).

Como tomar?

A posologia é definida pelo médico e costuma ser uma ou duas tomas por dia, com titulação gradual nas primeiras semanas para melhorar tolerabilidade. Pode ser tomada com ou sem alimentos; se houver náuseas, tomar com comida costuma ser mais confortável. Em pessoas com insónia, ajustar a toma para mais cedo no dia é uma manobra comum no consultório, porque tomar tarde pode atrasar o sono.

Pontos de administração que mudam resultados:

  • Engolir o comprimido inteiro com água.
  • Evitar esmagar, partir ou mastigar comprimidos de libertação prolongada, porque isso pode libertar a dose demasiado depressa e aumentar o risco de convulsões.
  • Manter intervalos regulares entre tomas quando o esquema é duas vezes ao dia.
Se houver insónia nas primeiras 10–14 dias, uma estratégia simples é mover a toma para a manhã e reduzir cafeína após o almoço; muita gente melhora sem precisar trocar de antidepressivo.

Erro frequente: parar de um dia para o outro por sentir “agitação” inicial. Em vários doentes, esse desconforto abranda ao fim de 1–2 semanas, e a interrupção precoce impede chegar ao benefício.

Efeitos graves (raros, mas relevantes) exigem resposta rápida: convulsões, reação alérgica (inchaço, urticária, dificuldade em respirar), aumento marcado de agitação, alteração de humor intensa, ideação suicida, ou sintomas que sugiram viragem maníaca (euforia anormal, pouca necessidade de dormir, impulsividade). O risco de convulsões aumenta com doses elevadas, com certos medicamentos concomitantes e em pessoas predispostas; por isso, o médico avalia fatores como história de crises, álcool em excesso e distúrbios alimentares antes de iniciar [3].

Se a Bupropiona estiver a dar sonhos vívidos e sono leve, criar uma rotina fixa de sono e evitar ecrãs na última hora antes de deitar costuma resultar melhor do que acrescentar sedativos “por conta própria”.

Como funciona?

  • Via oral: tomar os comprimidos por via oral, com água.
  • Dose habitual: 150 mg 1 vez por dia no início do tratamento; se necessário e conforme prescrição, pode aumentar para 300 mg/dia.
  • Frequência: 1 vez por dia; em alguns esquemas, 150 mg 2 vezes por dia.
  • Timing: tomar de manhã; se forem 2 tomas, a segunda deve ser no início da tarde. Pode ser tomado com ou sem alimentos.
  • Duração: usar durante o período indicado pelo médico, com reavaliação após várias semanas de tratamento.

Indicações

Na depressão (incluindo depressão recorrente), a Bupropiona é uma opção quando se procura um antidepressivo com perfil diferente dos ISRS, seja por falta de resposta, seja por efeitos indesejados como disfunção sexual ou sonolência com outras terapêuticas. Em depressão resistente ao tratamento, é usada como alternativa de mudança de classe ou como parte de estratégias de combinação definidas pelo médico, com vigilância apertada de tolerabilidade e interações.

No combate ao tabagismo, a Bupropiona atua como coadjuvante ao reduzir craving (desejo intenso) e alguns sintomas de abstinência, ajudando a quebrar o padrão de recompensa associado ao cigarro. Funciona melhor quando há um plano definido (data-alvo para parar, estratégias comportamentais, apoio) e quando as primeiras semanas são acompanhadas de perto, porque insónia e irritabilidade podem confundir-se com sintomas de abstinência [2].

Se a boca seca for forte, usar pastilhas sem açúcar e reforçar hidratação ao longo do dia costuma ajudar mais do que aumentar bebidas com cafeína, que podem piorar a insónia.

Comparação

A Bupropiona é um antidepressivo atípico e tende a ser escolhida quando se quer um mecanismo centrado em dopamina/noradrenalina, em vez de serotonina. Em linguagem de consultório, isso costuma significar foco em energia, motivação e anedonia, com um custo possível: mais insónia e mais ativação em alguns doentes.

Abaixo, uma comparação orientadora com alternativas usadas para objetivos semelhantes. Os termos “SIMILARES TERAPÊUTICOS DO BUPROPIOM GENERIS”, “SIMILARES QUÍMICOS DO BUPROPIOM GENERIS” e “SIMILARES DO BUPROPIOM GENERIS” aparecem em alguns contextos informativos para agrupar medicamentos com ação terapêutica parecida ou com o mesmo princípio ativo; no dia a dia, o que interessa é se estamos a falar de bupropiona (mesma substância) ou de outra classe com outro mecanismo.

Opção (exemplos) Mecanismo/classe Quando costuma ser preferida
Bupropiona NDRI (dopamina/noradrenalina) Depressão com fadiga/apatia; apoio na cessação tabágica; menor probabilidade de disfunção sexual do que muitos ISRS.
Fluoxetina, Citalopram ISRS Depressão com ansiedade associada; perfil mais “sedativo” em alguns doentes; risco maior de disfunção sexual.
Clomipramina Tricíclico Casos selecionados (p. ex., depressão com componentes obsessivos), mas com mais efeitos anticolinérgicos e maior carga de interações.

Mudança observada na prática recente: desde 2025, tem havido mais cuidado em combinar múltiplos fármacos que baixam o limiar convulsivo em doentes com privação de sono, consumo de álcool ou história de traumatismo craniano, porque esses “pequenos fatores” aumentam eventos adversos mais do que muitos doentes imaginam.

Contraindicações

Contraindicações e situações em que a Bupropiona não deve ser usada incluem:

  • História de convulsões/epilepsia.
  • Bulimia ou anorexia nervosa (mesmo que “já tenha passado”).
  • Uso atual de inibidores da monoaminoxidase (inibidores da MAO) ou intervalo insuficiente após parar um IMAO.
  • Hipersensibilidade ao cloridrato de bupropiona.
  • Suspensão abrupta de álcool, benzodiazepinas ou outros sedativos em contexto de dependência (pelo risco de convulsões).

Não recomendado para

Este medicamento não é para si se existir risco aumentado de convulsões ou se houver contraindicações formais avaliadas pelo médico. A Bupropiona exige uma história clínica bem feita, porque pequenas diferenças (por exemplo, um episódio antigo de convulsão febril vs epilepsia ativa) mudam completamente a decisão.

Efeitos secundários

Uma nuance de prática: a Bupropiona pode dar falso-positivo para anfetaminas em alguns testes de rastreio urinário. Não significa consumo de estimulantes; significa que pode ser necessário pedir uma confirmação laboratorial mais específica.

Efeitos graves (raros, mas relevantes) exigem resposta rápida: convulsões, reação alérgica (inchaço, urticária, dificuldade em respirar), aumento marcado de agitação, alteração de humor intensa, ideação suicida, ou sintomas que sugiram viragem maníaca (euforia anormal, pouca necessidade de dormir, impulsividade). O risco de convulsões aumenta com doses elevadas, com certos medicamentos concomitantes e em pessoas predispostas; por isso, o médico avalia fatores como história de crises, álcool em excesso e distúrbios alimentares antes de iniciar [3].

Cautela extra costuma ser necessária em hipertensão não controlada, perturbação bipolar (risco de mania), doença hepática significativa e em pessoas com ansiedade marcada no início do tratamento.

Se já teve diagnóstico de perturbação bipolar, diga isso logo na consulta: a Bupropiona pode ser usada em alguns planos, mas normalmente com estabilizador do humor e vigilância apertada.

Erros comuns

Erros simples explicam muitas “falhas” com Bupropiona. A maioria é evitável.

  • Tomar a segunda toma demasiado tarde e depois culpar o medicamento por insónia.
  • Partir ou esmagar comprimidos de libertação prolongada para “facilitar”, aumentando risco de pico de dose e convulsões.
  • Juntar vários estimulantes (muita cafeína, descongestionantes nasais, bebidas energéticas) nas primeiras semanas e interpretar a inquietação como agravamento da depressão.
  • Parar abruptamente ao dia 3–5 por boca seca ou cefaleia, quando estratégias simples de suporte costumam resolver.
  • Não referir consumo regular de álcool ou episódios anteriores de convulsões, o que muda o risco do tratamento.
Se precisar de um descongestionante para constipação, confirme com o médico se é adequado no seu caso: alguns simpaticomiméticos aumentam nervosismo e podem baixar o limiar convulsivo quando combinados com Bupropiona.

Opiniões médicas

Médicos e psiquiatras tendem a ver a Bupropiona como um antidepressivo útil quando o doente descreve depressão com pouca energia, lentificação e dificuldade em iniciar tarefas. Em consultas de cessação tabágica, é muitas vezes valorizada em fumadores com histórico de recaídas por irritabilidade e craving intenso, porque atua no “desejo” e não apenas nos sintomas físicos. Em 2024, a EMA e o NICE mantiveram atenção especial ao perfil de ativação inicial, sobretudo quando há ansiedade de base.

O outro lado da moeda aparece cedo: nas primeiras semanas pode surgir ativação, ansiedade e insónia, e isso exige ajuste do horário, revisão de cafeína e, às vezes, redução temporária de dose. Em pessoas com vulnerabilidade a mania ou com sintomas psicóticos prévios, a decisão é mais conservadora e o acompanhamento é mais frequente. Um bom plano inclui também medir pressão arterial ao longo do tempo, porque há doentes que fazem subida tensional clinicamente relevante. O Infarmed também destaca a vigilância de tolerabilidade no seguimento clínico.

Perguntas frequentes

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Bupropiona — Comparação com alternativas

Avaliações e Experiências

R
Rita, 34
Porto
10 semanas
Verificada
Usei por depressão com muita apatia. A primeira semana foi chata por insónia, mas ao ajustar para a manhã melhorou. Ao fim de um mês senti mais vontade de fazer coisas e menos necessidade de sestas.
18/09/2025
M
Miguel, 41
Lisboa
8 semanas
Verificada
O objetivo era deixar de fumar. Continuei a fumar uns dias, depois reduzi muito e parei na data que combinei. Tive boca seca e sonhos estranhos, mas o craving baixou bastante a partir da terceira semana.
03/11/2025
C
Carla, 29
Braga
4 semanas
Verificada
Pareceu-me ‘forte’ no início, com ansiedade e tremor. Não resultou para mim porque já tenho tendência a ansiedade e fiquei pior, mesmo com ajustes de horário. Troquei por outra opção com o médico.
22/01/2026
A
António, 52
Coimbra
12 semanas
Verificada
Já tinha tentado ISRS e fiquei com falta de libido e muita sonolência. Com Bupropiona isso foi menos marcado, mas tive dores de cabeça nas duas primeiras semanas. Depois estabilizou e a energia voltou.
14/12/2025

Fontes

  1. EMA (European Medicines Agency) (2023). Bupropion — Summary of Product Characteristics (SmPC).
  2. Cochrane (2020). Antidepressants for smoking cessation (Cochrane Review).
  3. FDA (U.S. Food and Drug Administration) (2022). Wellbutrin XL (bupropion hydrochloride) — Prescribing Information.
  4. WHO (World Health Organization) (2023). WHO report on the global tobacco epidemic.
  5. Infarmed (Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, I.P.) (2025). Página de informação pública do medicamento/princípio ativo bupropiona.
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